Na incubadora com... Rita Nobre
Na incubadora com... | 17-03-2026
Nesta edição de “Na incubadora com…”, a SANJOTEC esteve à conversa com Rita Nobre, do Doutor Finanças, para explorar o papel da literacia financeira na vida das famílias portuguesas, os desafios atuais na gestão das finanças pessoais e o futuro do aconselhamento financeiro em Portugal.
P.: O Doutor Finanças nasceu para simplificar decisões financeiras. Onde sentem hoje que esse impacto é mais transformador na vida das pessoas?
R.: O Doutor Finanças nasceu em 2014 para ajudar as pessoas a tomar melhores decisões financeiras. Desde então, ajudámos milhares de pessoas com os nossos conteúdos de literacia, mas também com um serviço especializado que ajuda a encontrar as melhores soluções de crédito habitação, crédito consolidado ou seguros, por exemplo.
O impacto do nosso trabalho é sentido sobretudo nos momentos em que as famílias tomam grandes decisões de vida, como a compra de casa e a procura do crédito habitação. Por outro lado, temos um papel de apoio também nos momentos de maior vulnerabilidade financeira, quando é necessário reorganizar o orçamento familiar ou poupar nas contas da casa.
Muitas famílias chegam até nós com dúvidas, receios ou até com algum sentimento de culpa relativamente às suas finanças. O nosso papel é transformar essa ansiedade em clareza e confiança e, sobretudo, ajudar as pessoas a recuperar margem de escolha sobre o seu futuro financeiro.
P.: Que mudanças mais significativas têm observado no comportamento financeiro das famílias portuguesas nos últimos anos?
R.: Embora ocupemos ainda um dos últimos lugares do ranking de literacia financeira a nível europeu, aquilo que vemos é que as famílias estão mais conscientes e informadas do que no passado.
Existe hoje uma maior procura por informação e aconselhamento antes de tomar decisões, o que revela um consumidor mais exigente e responsável. As famílias estão mais despertas para a importância da boa gestão das finanças pessoais e isso cria uma oportunidade enorme para reforçar a educação financeira como uma competência essencial para o bem-estar individual e familiar.
Apesar destes sinais, percebemos que ainda existe um desafio relevante ao nível antecipação de riscos e no planeamento de médio e longo prazo.
Se olharmos para os dados do Barómetro de Hábitos Financeiros desenvolvido pelo Doutor Finanças em parceria com a Universidade Católica, percebemos porquê: quase metade da população portuguesa não poupa de forma regular. Isto revela um ponto crítico, mesmo que exista maior consciência sobre a importância da poupança, os comportamentos ainda não acompanham essa consciência na mesma proporção.
O planeamento continua, assim, a ser uma peça esquecida na vida financeira das famílias. E sem planeamento, qualquer imprevisto transforma?se num risco e qualquer decisão importante deixa de ser estratégica para se tornar reativa.
P.: Como se constrói e mantém confiança numa área onde as decisões são profundamente pessoais e, muitas vezes, emocionalmente difíceis?
R.: A confiança constrói-se com consistência, transparência e empatia. No setor financeiro, as pessoas não procuram apenas informação técnica. Procuram, acima de tudo, alguém que as ajude a interpretar essa informação à luz da sua realidade pessoal.
No Doutor Finanças, trabalhamos essa confiança através de três pilares: independência no aconselhamento, proximidade humana e compromisso com a literacia financeira. Procuramos garantir que cada solução apresentada é explicada de forma clara e alinhada com o interesse do cliente, para que ele saia de cada interação com o Doutor Finanças mais preparado para tomar boas decisões financeiras.
P.: Num negócio em forte crescimento, como se equilibra escala e eficiência com proximidade humana e acompanhamento personalizado?
R.: Esse é um dos maiores desafios e, ao mesmo tempo, uma das nossas maiores prioridades estratégicas. Acreditamos que a tecnologia deve servir para libertar tempo de tarefas rotineiras e repetitivas e para aumentar tempo de qualidade na relação humana entre os nossos especialistas e os clientes.
Investimos muito na digitalização de processos e na utilização inteligente de dados para ganhar eficiência e melhorar a experiência do cliente. Mas mantemos uma forte aposta no acompanhamento personalizado através das nossas equipas de especialistas.
Crescer, para nós, significa chegar a mais pessoas sem perder a capacidade de ouvir cada história individual. A escala só faz sentido se for acompanhada por relevância e proximidade.
P.: Como imaginam o futuro do aconselhamento financeiro em Portugal e que papel acredita que o Doutor Finanças terá nesse caminho?
R.: Acreditamos que o aconselhamento será cada vez mais híbrido, combinando tecnologia, dados e inteligência artificial com o acompanhamento humano especializado. O futuro passará por experiências mais personalizadas, preditivas e integradas no quotidiano das pessoas.
O Doutor Finanças quer assumir um papel ativo nessa transformação, posicionando-se como um parceiro de bem-estar financeiro ao longo de todo o ciclo de vida das famílias. Queremos contribuir para um país onde falar de dinheiro deixe de ser um tabu e passe a ser encarado como uma ferramenta de liberdade e planeamento de vida.
P.: De que forma a parceria com a SANJOTEC contribui para reforçar o impacto e a missão do Doutor Finanças no ecossistema empreendedor?
R.: A parceria com a SANJOTEC permite-nos aproximar do ecossistema empreendedor e tecnológico, que é um motor fundamental de inovação e desenvolvimento económico em Portugal.
Acreditamos que o bem-estar financeiro não é apenas um tema das famílias, mas também das organizações e dos empreendedores. Ao colaborar com a SANJOTEC, conseguimos partilhar conhecimento e apoiar os colaboradores das empresas na tomada de decisões financeiras mais informadas.
Mais do que uma parceria institucional, vemos esta colaboração como uma oportunidade para construir impacto conjunto, cruzando literacia financeira, inovação e proximidade.