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NA INCUBADORA COM... JOSÉ VIEIRA

NA INCUBADORA COM... JOSÉ VIEIRA

2024-07-10

Para a décima primeira edição do segmento “Na incubadora com...” estivemos à Conversa com José Vieira, Administrador da Viarco.

A Viarco é uma empresa sanjoanense e a única fábrica de lápis em Portugal. 

A Viarco é, atualmente, a única fábrica de lápis em Portugal. Poderia nos contar um pouco sobre a história da empresa e os seus desafios iniciais?

A Viarco, inicialmente conhecida como Fábrica de Lápis Portugália, foi fundada em 1907, em Vila do Conde, com o objetivo de ser a primeira fábrica de lápis em Portugal. 

Durante seus primeiros anos, a empresa enfrentou desafios consideráveis, incluindo a Primeira Guerra Mundial, que causou escassez de matérias-primas, e a Grande Depressão de 1931, que levou a empresa à falência.

Em 1936, foi adquirida pelo Bisavô de José Vieira, Manoel Vieira Araújo, transformando-se na Viarco.
Esse período foi marcado por reconstruções e renovações significativas, estabelecendo as bases para a futura Viarco.

A reativação da Viarco foi um processo árduo e multifacetado. A falta de conhecimento sobre o processo de fabricação foi um dos principais obstáculos. A deslocalização das operações de Vila do Conde para São João da Madeira envolveu não apenas a transferência de máquinas e materiais, mas também a formação de um novo quadro de funcionários. Incêndios devastadores ocorreram, também, durante este período, exigindo reconstruções extensivas e a reposição de equipamentos e matérias-primas.

Com a entrada de Portugal na União Europeia, a Viarco enfrentou novos desafios para competir no mercado global. A falta de atualização tecnológica e o não aproveitamento dos fundos disponíveis resultaram numa infraestrutura desatualizada no início do século XXI. Isso dificultou a competitividade da empresa, que precisou de inovar e adaptar-se para se manter relevante, sem que isso significasse abdicar dos processos de fabrico tradicionais.
A Viarco continuou a investir em inovação e colaboração, procurando maneiras de superar esses desafios e continuar a crescer. A empresa focou-se em projetos que combinavam tecnologia e tradição, como a introdução de novos produtos e o aprimoramento de processos existentes

Apesar desses desafios, a empresa conseguiu reestabelecer-se, impulsionada pela resiliência e dedicação da sua equipa.

A Viarco é conhecida pela sua capacidade de inovação. Pode nos dar alguns exemplos de inovações significativas que a empresa desenvolveu?

A Viarco sempre foi conhecida pela sua capacidade de inovar, apesar da falta de inovação nos seus processos de fabrico.

Um exemplo notável é a colaboração com a SINFLEX, que resultou na criação de molas adaptativas para lápis. Esses dispositivos permitiram que pessoas com deficiências nas mãos pudessem desenhar, algo que anteriormente era impossível para muitos. Um caso particularmente impactante foi o de um artista plástico com uma deficiência congênita, que, graças às molas, conseguiu desenhar com a mão direita pela primeira vez. Esta inovação, que começou como uma experiência lúdica, rapidamente se transformou em uma ferramenta terapêutica valiosa, demonstrando a capacidade da Viarco de adaptar e expandir as suas inovações para beneficiar diversas comunidades.

Em 2010, Miguel Neiva apresentou o ColorAdd, um código de identificação de cores para daltônicos, e a Viarco viu um grande potencial na ideia. Este sistema de código foi criado para ajudar daltônicos a identificar cores, utilizando símbolos que representam diferentes cores, facilitando a integração visual de milhões de pessoas. A Viarco apoiou o projeto, ciente dos desafios de educar o público sobre essa nova linguagem.

A empresa reconheceu a importância da iniciativa, apesar da necessidade de um esforço contínuo para promover a aceitação e a utilização do ColorAdd em escala global.

Porquê a cidade mais pequena do País para ser “casa” da Viarco? E de que maneira é que a Viarco se relaciona com a comunidade local?

A escolha de São João da Madeira como nova sede da Viarco está profundamente enraizada na história familiar do fundador. O bisavô do atual gestor era sanjoanense, e sempre acreditou que a empresa deveria permanecer na cidade. Este comprometimento com a comunidade local influenciou a decisão de reativar a fábrica na cidade mais pequena de Portugal, reforçando a ligação da Viarco com São João da Madeira. Este vínculo fortaleceu a identidade da empresa e solidificou o seu papel como um membro ativo e comprometido da comunidade local.

A Viarco mantém um compromisso forte e contínuo com a comunidade local em São João da Madeira. A empresa colabora com diversas instituições sanjoanenses. A filosofia da Viarco é de apoiar diretamente projetos e pessoas, em vez de investir em publicidade tradicional. Acreditam que o apoio direto tem um impacto mais significativo e duradouro na comunidade. Essa abordagem permite que a empresa contribua efetivamente para o bem-estar e o desenvolvimento cultural e social da região, reforçando o seu papel como um pilar comunitário.

A Viarco também se destaca pela sua participação nos circuitos de Turismo Industrial da região, abrindo suas portas para visitantes e promovendo a integração da fábrica com a comunidade local. Esta abordagem não apenas aumenta a visibilidade da empresa, mas também fortalece os laços com a cidade, permitindo que a Viarco contribua de forma significativa para a economia e a cultura locais.

O Turismo Industrial de São João da Madeira, criado em 2012, foi uma das formas de preservar este importantíssimo legado industrial da região e promover o desenvolvimento económico e social da região.